Vitamina B2 (riboflavina): para que serve e onde encontrar

A vitamina B2, ou riboflavina, participa do metabolismo energético e de importantes reações celulares. Veja quanto precisamos e quais alimentos fornecem mais.

Alimentos fontes de vitamina B2, incluindo leite, ovos, amêndoas, cogumelos e vegetais verdes, dispostos sobre uma mesa clara.

A vitamina B2, também chamada de riboflavina, é uma das vitaminas do complexo B. Embora costume receber menos atenção que vitaminas como B12 ou vitamina D, ela participa de processos fundamentais para o funcionamento das células.

Seu papel mais conhecido está ligado ao metabolismo energético. A riboflavina é necessária para formar duas importantes coenzimas — FMN (flavina mononucleotídeo) e FAD (flavina adenina dinucleotídeo) — que participam de numerosas reações químicas no organismo. (ODS)

A boa notícia é que a vitamina está presente em diferentes grupos de alimentos. Fígado, leite, iogurte, ovos, carnes, amêndoas e cogumelos são alguns exemplos.

Para que serve a vitamina B2?

A riboflavina não funciona como uma fonte direta de energia. Em vez disso, ajuda o organismo a realizar reações químicas necessárias para utilizar os nutrientes que ingerimos.

Depois de absorvida, parte dela é convertida nas formas biologicamente ativas FMN e FAD. Essas coenzimas participam de processos relacionados à produção de energia celular e ao metabolismo de gorduras, proteínas e carboidratos. (ODS)

A vitamina B2 também participa de interações metabólicas com outros micronutrientes. Por exemplo, o FAD está envolvido na conversão do triptofano em niacina, enquanto o FMN participa da conversão da vitamina B6 para sua forma de coenzima. (ods.od.nih.gov)

Isso explica por que a riboflavina é considerada um nutriente essencial: o organismo precisa dela para manter processos metabólicos normais, mas não consegue depender apenas da produção interna para atender às necessidades.

Quanta vitamina B2 precisamos por dia?

A quantidade recomendada depende de idade, sexo e fase da vida.

Segundo as Dietary Reference Intakes utilizadas pelo NIH, as recomendações para adultos são:

GrupoRiboflavina por dia
Homens adultos1,3 mg
Mulheres adultas1,1 mg
Gravidez1,4 mg
Lactação1,6 mg

Esses valores são as recomendações norte-americanas. (ods.od.nih.gov)

A European Food Safety Authority (EFSA) utiliza valores diferentes. Para adultos, a instituição estabeleceu um Population Reference Intake de 1,6 mg/dia. Na gravidez, o valor é de 1,9 mg/dia e, durante a lactação, 2,0 mg/dia. (EFSA)

Quais alimentos têm mais vitamina B2?

Seleção de fígado, ovos, laticínios, amêndoas, cogumelos, espinafre e quinoa, alimentos que fornecem diferentes quantidades de vitamina B2.

A riboflavina aparece tanto em alimentos de origem animal quanto vegetal. Alguns produtos industrializados também podem ser enriquecidos ou fortificados com a vitamina.

Segundo dados apresentados pelo NIH, com base em informações do USDA, alguns exemplos são: (ods.od.nih.gov)

AlimentoPorção analisadaRiboflavina
Fígado bovino preparadocerca de 85 g2,9 mg
Cereal matinal fortificado a 100% do valor diário1 porção1,3 mg
Aveia instantânea fortificada, preparada1 xícara1,1 mg
Iogurte natural sem gordura1 xícara0,6 mg
Leite com 2% de gordura1 xícara0,5 mg
Filé bovino grelhadocerca de 85 g0,4 mg
Amêndoas torradascerca de 28 g0,3 mg
Cogumelo portobello grelhado1/2 xícara0,2 mg
Ovo mexido1 unidade grande0,2 mg
Quinoa cozida1 xícara0,2 mg
Espinafre cru1 xícara0,1 mg

Os valores devem ser interpretados como referências aproximadas. Cultivar, processamento, receita, tamanho da porção e fortificação podem modificar a quantidade efetivamente consumida.

Fígado é uma fonte especialmente concentrada

Entre os alimentos da tabela do NIH, o fígado bovino apresenta uma das maiores concentrações de riboflavina por porção.

Isso não significa que seja necessário consumir fígado para obter vitamina B2. Uma alimentação que combine diferentes fontes ao longo do dia também pode suprir as necessidades.

Leite e derivados contribuem de forma importante

Leite e iogurte fornecem quantidades relevantes de riboflavina em porções comuns.

Por esse motivo, pessoas que retiram completamente os laticínios da alimentação devem observar quais alimentos ocuparão esse espaço nutricional — principalmente se também excluírem ovos e carnes. (ods.od.nih.gov)

Ovos, carnes e peixes também fornecem riboflavina

Ovos, carnes e determinados peixes apresentam vitamina B2 em quantidades variadas. Mesmo alimentos que não estão entre os mais concentrados podem contribuir para o total diário quando fazem parte da alimentação habitual.

E as fontes vegetais?

Há diversas opções vegetais.

Amêndoas, cogumelos, quinoa, espinafre e outros alimentos fornecem alguma quantidade de riboflavina. Além disso, produtos fortificados podem se tornar fontes importantes para pessoas que seguem alimentação predominantemente vegetal.

A composição de alimentos fortificados, porém, varia de acordo com o fabricante e o país. Por isso, vale verificar a informação nutricional do produto em vez de pressupor que todos forneçam a mesma quantidade.

É possível obter vitamina B2 em uma alimentação vegana?

Amêndoas, cogumelos, espinafre, quinoa, grãos e cereal fortificado representando fontes de riboflavina em uma alimentação vegetal.

Sim. Uma dieta vegana pode fornecer riboflavina, mas requer atenção à variedade alimentar e às fontes utilizadas.

O NIH inclui pessoas veganas e indivíduos que consomem pouco leite entre os grupos que podem apresentar maior risco de ingestão inadequada, justamente porque leite, derivados, ovos e carnes são fontes importantes em muitas dietas. (ods.od.nih.gov)

Para quem não consome alimentos de origem animal, fontes vegetais e alimentos fortificados tornam-se especialmente relevantes.

A necessidade de suplementação não deve ser presumida apenas pela adoção de uma alimentação vegana. A avaliação deve considerar o padrão alimentar completo, necessidades individuais e, quando indicado, orientação profissional.

A forma de preparar os alimentos interfere na riboflavina?

Pode interferir.

Como a riboflavina é hidrossolúvel, parte dela pode ser perdida na água utilizada para cozinhar os alimentos. O NIH relata que a perda durante fervura pode ser aproximadamente duas vezes maior do que em métodos como cozimento a vapor ou micro-ondas. (ods.od.nih.gov)

A vitamina também é sensível à exposição à luz. Esse é um dos motivos pelos quais a proteção de determinados alimentos contra luz intensa pode ajudar a preservar sua riboflavina. (ods.od.nih.gov)

Na prática, entretanto, não é necessário transformar o preparo de cada refeição em uma tentativa de preservar 100% da vitamina. Uma alimentação variada tende a ser uma estratégia muito mais importante.

O que acontece quando falta vitamina B2?

A deficiência de riboflavina é conhecida como ariboflavinose.

Entre as possíveis manifestações estão:

  • rachaduras e lesões nos cantos da boca;
  • lábios inchados ou fissurados;
  • alterações na língua e garganta;
  • alterações de pele;
  • olhos avermelhados ou irritados;
  • queda de cabelo em determinados casos;
  • anemia quando a deficiência é grave e prolongada.

A deficiência costuma coexistir com inadequações de outros nutrientes, o que dificulta atribuir todos os sintomas exclusivamente à vitamina B2. (ods.od.nih.gov)

Uma revisão publicada em 2023 destaca que a deficiência clínica grave é mais frequente em contextos de maior vulnerabilidade nutricional, enquanto estados subclínicos de baixa riboflavina podem ser mais disseminados e passar despercebidos. (PubMed)

Quem apresenta maior risco de ingestão inadequada?

Segundo o NIH, alguns grupos merecem atenção especial, incluindo pessoas que consomem pouco leite ou outros alimentos ricos em riboflavina, certos veganos, gestantes e lactantes em situações de baixa ingestão e indivíduos com raras alterações genéticas do transporte da riboflavina. (ods.od.nih.gov)

Isso não significa que todas as pessoas desses grupos apresentarão deficiência.

O risco depende do padrão alimentar, estado nutricional, necessidades individuais e, em determinadas situações, condições clínicas que interferem na absorção ou no metabolismo.

É melhor obter riboflavina dos alimentos ou de suplementos?

Para atender às necessidades nutricionais habituais, alimentos podem fornecer quantidades suficientes para muitas pessoas.

Além de riboflavina, eles oferecem proteínas, minerais, fibras e diversos outros componentes que fazem parte de uma alimentação equilibrada.

Suplementos podem ter utilidade quando a ingestão alimentar é insuficiente ou quando existe uma indicação específica. Entretanto, consumir doses muito superiores às necessidades não significa automaticamente obter benefícios adicionais.

O Food and Nutrition Board dos Estados Unidos não estabeleceu um limite máximo tolerável de ingestão para a riboflavina porque os dados disponíveis não demonstraram toxicidade nas quantidades estudadas. A própria instituição ressalta, contudo, que ausência de evidência de dano não significa que doses excessivas devam ser utilizadas sem cautela. (ODS)

Como incluir mais riboflavina na alimentação

Refeição com iogurte, amêndoas, ovo, cogumelos, espinafre, pão integral e leite em uma mesa de café da manhã.

Na prática, não é necessário procurar um único alimento excepcionalmente rico em vitamina B2.

Um dia alimentar variado pode combinar, por exemplo, leite ou iogurte, ovos, cereais ou grãos, cogumelos, vegetais verdes e pequenas porções de oleaginosas.

Pessoas que não consomem alimentos de origem animal podem dar maior atenção às fontes vegetais e verificar a presença de riboflavina em produtos fortificados.

Mais importante do que perseguir um alimento isolado é manter um padrão alimentar capaz de fornecer micronutrientes de forma consistente.

Conclusão

A vitamina B2 ou riboflavina é essencial para o metabolismo energético e para numerosas reações celulares. O organismo utiliza a vitamina para formar as coenzimas FMN e FAD, envolvidas em processos fundamentais para o funcionamento normal das células.

Fígado é uma das fontes mais concentradas, mas está longe de ser a única opção. Leite, iogurte, ovos, carnes, amêndoas, cogumelos, alguns vegetais e alimentos fortificados também ajudam a compor a ingestão diária.

Para a maioria das pessoas, o foco deve estar em uma alimentação variada. Quando houver suspeita de deficiência, dieta muito restritiva ou necessidade de doses suplementares, a melhor abordagem é buscar avaliação profissional em vez de iniciar megadoses por conta própria.

Perguntas frequentes

Para que serve a vitamina B2?

A vitamina B2, ou riboflavina, é necessária para formar as coenzimas FMN e FAD. Elas participam de diversas reações enzimáticas, incluindo processos envolvidos na produção de energia e no metabolismo de gorduras e outros nutrientes. A riboflavina também está envolvida no metabolismo de outras vitaminas, incluindo vitamina B6 e niacina. Isso não significa, porém, que consumir doses elevadas de B2 gere mais energia em pessoas que já possuem ingestão adequada. (ods.od.nih.gov)

Quais alimentos têm mais vitamina B2?

Entre as fontes mais concentradas está o fígado. Segundo a tabela utilizada pelo NIH, cerca de 85 g de fígado bovino preparado fornecem aproximadamente 2,9 mg de riboflavina. Leite, iogurte, ovos, carnes, amêndoas, cogumelos e determinados cereais e grãos fortificados também contribuem. A quantidade dos alimentos fortificados pode variar bastante conforme a formulação do produto. (ods.od.nih.gov)

Quanto de riboflavina precisamos por dia?

Nos valores de referência utilizados pelo NIH/Food and Nutrition Board, homens adultos precisam de aproximadamente 1,3 mg por dia e mulheres adultas, 1,1 mg. Durante a gravidez, o valor é 1,4 mg e, na lactação, 1,6 mg. A EFSA utiliza outro sistema e estabelece um PRI de 1,6 mg por dia para adultos. Portanto, é importante identificar qual referência está sendo utilizada. (ODS)

Vegetarianos e veganos conseguem obter vitamina B2 suficiente?

Sim, é possível, mas o planejamento alimentar merece atenção. Pessoas que consomem laticínios e ovos contam com fontes importantes de riboflavina. Veganos precisam depender mais de alimentos vegetais que fornecem B2 e, quando disponíveis, produtos fortificados. Amêndoas, cogumelos, alguns vegetais verdes e cereais fortificados podem contribuir. O NIH considera pessoas veganas e aquelas que consomem pouco leite entre os grupos potencialmente mais sujeitos à inadequação. (ods.od.nih.gov)

Quais são os sintomas da falta de vitamina B2?

A deficiência pode causar lesões nos cantos da boca, lábios inchados ou rachados, alterações na língua e garganta e problemas de pele. Casos graves e prolongados podem estar associados à anemia. Esses sinais não são exclusivos da deficiência de riboflavina e podem ocorrer junto com outras deficiências nutricionais. Por isso, sintomas persistentes devem ser avaliados por um profissional de saúde em vez de tratados por conta própria com suplementos. (ODS)

É necessário tomar suplemento de vitamina B2?

Para a maioria das pessoas que consegue obter quantidades adequadas por meio de uma alimentação variada, suplementar riboflavina especificamente não é uma necessidade automática. Suplementos podem ser utilizados em situações determinadas por um profissional de saúde ou quando a alimentação não consegue atender às necessidades. Doses muito superiores às necessidades nutricionais também são estudadas para condições específicas, mas isso não deve ser confundido com suplementação cotidiana. (ODS)

Fontes científicas

  1. Riboflavin — Fact Sheet for Health ProfessionalsNational Institutes of Health — Office of Dietary Supplements — NIH Office of Dietary Supplements — 2022, última atualização indicada na página
  2. Dietary Reference Values for riboflavinEFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition and Allergies (NDA) — EFSA Journal — 2017
  3. Causes and Clinical Sequelae of Riboflavin DeficiencyHelene McNulty, Kristina Pentieva e Mary Ward — Annual Review of Nutrition — 2023
  4. Effects of deficiency or supplementation of riboflavin on energy metabolism: a systematic review with preclinical studiesEulália Rebeca da Silva-Araújo e colaboradores — Nutrition Reviews — 2025