Grão-de-bico: nutrientes, benefícios e formas de consumir

O grão-de-bico fornece proteínas vegetais, fibras, folato e minerais. Conheça seus nutrientes, possíveis benefícios e maneiras práticas de incluí-lo na alimentação.

Tigela com grão-de-bico cozido acompanhada de vegetais, ervas e ingredientes naturais sobre uma mesa clara.

O grão-de-bico (Cicer arietinum) é uma leguminosa que combina carboidratos, proteína vegetal, fibras e diversos micronutrientes. Pode aparecer em saladas, sopas, ensopados, pastas como o homus, preparações assadas e diversas outras receitas.

Além da versatilidade culinária, ele apresenta um perfil nutricional interessante. A Organização Mundial da Saúde inclui o grão-de-bico entre as leguminosas que podem fornecer carboidratos de boa qualidade dentro de uma alimentação equilibrada. (Organização Mundial da Saúde)

Mas é importante separar nutrição de promessas exageradas. O grão-de-bico não “cura” doenças e seus efeitos dependem do conjunto da alimentação, da quantidade consumida e das características de cada pessoa.

Quais nutrientes o grão-de-bico oferece?

Grão-de-bico cozido servido com vegetais, cereais e ervas que compõem uma refeição variada.

Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, 100 g de grão-de-bico cozido, drenado, sem óleo e sem sal apresentam aproximadamente os seguintes valores: (TBCA)

NutrienteQuantidade por 100 g
Energia115 kcal
Carboidratos totais20,8 g
Proteína7,53 g
Fibras alimentares7,47 g
Lipídios1,86 g
Ferro2,43 mg
Magnésio37,1 mg
Fósforo124 mg
Potássio274 mg
Zinco2,05 mg
Manganês1,28 mg
Folato equivalente134 mcg

Os valores podem variar de acordo com a variedade do grão, o método de preparo, o teor de água e outros fatores. (PubMed)

Uma característica que se destaca é a combinação de proteína e fibra no mesmo alimento. Isso torna o grão-de-bico especialmente útil em refeições de origem predominantemente vegetal.

Grão-de-bico é uma boa fonte de proteína?

Sim. Os cerca de 7,5 g de proteína encontrados em 100 g de grão-de-bico cozido tornam a leguminosa uma fonte relevante de proteína vegetal. (TBCA)

Isso não significa que ele precise ser a única fonte proteica de uma refeição ou de uma dieta. Uma alimentação variada pode combinar diferentes leguminosas, cereais, sementes, oleaginosas e, conforme a preferência alimentar, ovos, laticínios, carnes ou peixes.

Para vegetarianos e veganos, o grão-de-bico é particularmente interessante porque permite aumentar a participação de proteínas de origem vegetal sem depender exclusivamente de produtos ultraprocessados.

O teor de fibras é um dos principais destaques

Cada 100 g de grão-de-bico cozido da preparação analisada pela TBCA oferece aproximadamente 7,5 g de fibras. (TBCA)

A OMS recomenda que pessoas com mais de 10 anos busquem consumir pelo menos 25 g de fibras alimentares naturalmente presentes nos alimentos por dia, embora necessidades individuais possam variar. Leguminosas estão entre os grupos de alimentos recomendados como fontes de carboidratos de melhor qualidade e fibras. (Organização Mundial da Saúde)

O grão-de-bico, portanto, pode contribuir de maneira relevante para essa ingestão quando associado a frutas, vegetais, cereais integrais, sementes e outros alimentos vegetais.

Pode ajudar na saciedade?

Provavelmente pode contribuir, principalmente devido à composição do alimento.

Uma revisão sistemática com meta-análise de ensaios controlados avaliou feijões, ervilhas, lentilhas e grão-de-bico e encontrou aumento da sensação de saciedade após o consumo de leguminosas. Entretanto, o estudo não encontrou redução significativa da quantidade consumida na refeição seguinte e destacou limitações como amostras pequenas. (PubMed)

Por isso, é mais correto dizer que leguminosas podem favorecer a saciedade do que afirmar que o grão-de-bico, por si só, provoca emagrecimento.

Grão-de-bico e glicemia: o que mostram os estudos?

Leguminosas fornecem carboidratos juntamente com fibras e proteínas, característica relevante para a composição das refeições.

Uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos publicada no European Journal of Nutrition concluiu que o consumo de leguminosas melhorou diferentes indicadores de controle glicêmico em adultos com e sem diabetes tipo 2. Os estudos avaliaram diferentes tipos de leguminosas, doses e períodos de intervenção. (Springer)

Isso não significa que o grão-de-bico seja um tratamento para diabetes. Os dados apoiam seu uso como parte de um padrão alimentar equilibrado, enquanto medicamentos e demais orientações prescritas para pessoas com diabetes não devem ser alterados sem acompanhamento profissional.

Pode contribuir para a saúde cardiovascular?

A evidência é mais consistente quando analisamos leguminosas como grupo.

Uma meta-análise atualizada publicada em 2026 reuniu 38 ensaios randomizados, com 2.095 participantes, e encontrou reduções pequenas a moderadas em LDL e outros marcadores lipídicos com o consumo de leguminosas inteiras. Os autores avaliaram a certeza das evidências como moderada a alta para a maioria dos desfechos, mas também destacaram que ainda são necessários mais estudos especificamente com grão-de-bico, lentilha e ervilha. (AHA Journals)

Assim, o melhor enquadramento é que o grão-de-bico pode fazer parte de um padrão alimentar favorável à saúde cardiovascular, e não que ele funcione como um redutor de colesterol isolado.

Folato, ferro e outros micronutrientes

O grão-de-bico também oferece micronutrientes que merecem atenção.

A TBCA registra aproximadamente 134 mcg de equivalente de folato por 100 g do alimento cozido analisado. O folato participa de processos fundamentais como síntese de DNA, metabolismo de aminoácidos e divisão celular. (TBCA)

O ferro também está presente: aproximadamente 2,43 mg por 100 g na preparação da TBCA. Como acontece com outros alimentos vegetais, trata-se de ferro não heme. (TBCA)

A biodisponibilidade desse ferro é menor que a do ferro heme encontrado em alimentos de origem animal. A presença de vitamina C na mesma refeição pode melhorar sua absorção, enquanto compostos como o fitato podem reduzi-la. (ODS)

Uma combinação simples, por exemplo, é consumir o grão-de-bico com alimentos que ofereçam vitamina C, como tomate, pimentão, limão ou outras frutas e hortaliças.

Grão-de-bico tem carboidrato?

Sim — e isso não torna o alimento pouco saudável.

A TBCA registra aproximadamente 20,8 g de carboidratos totais em 100 g do grão cozido e drenado. Parte considerável dessa quantidade está associada às fibras: cerca de 7,47 g na mesma porção. (TBCA)

Avaliar o grão-de-bico apenas pelo total de carboidratos ignora o restante de sua matriz nutricional, que inclui proteína, fibras, minerais e vitaminas.

A própria OMS recomenda que os carboidratos da alimentação venham prioritariamente de alimentos como grãos integrais, vegetais, frutas e leguminosas. (Organização Mundial da Saúde)

Como preparar o grão-de-bico seco

Grão-de-bico apresentado seco, de molho e cozido em diferentes recipientes.

O grão-de-bico seco precisa ser cozido antes do consumo.

Deixá-lo de molho por algumas horas ou durante a noite é uma estratégia comum antes do cozimento. Processos como molho e cozimento também influenciam compostos naturalmente presentes nas sementes, inclusive fatores antinutricionais que podem interferir na utilização de determinados nutrientes. (PubMed)

Depois do molho:

  1. Escorra os grãos.
  2. Adicione água limpa para o cozimento.
  3. Cozinhe até atingirem textura macia.
  4. Tempere de acordo com a preparação.

O tempo necessário varia conforme o tamanho e a idade dos grãos e o método de cozimento.

Grão-de-bico seco ou enlatado: qual escolher?

As duas opções podem fazer parte da alimentação.

O grão seco permite maior controle sobre sal, temperos e textura, embora exija planejamento e cozimento.

O grão enlatado oferece conveniência e pode reduzir bastante o tempo de preparo. A OMS considera que alimentos enlatados podem fazer parte de uma dieta saudável quando não apresentam excesso de sódio ou açúcares adicionados. (Organização Mundial da Saúde)

Ao comprar:

  • observe o teor de sódio no rótulo;
  • prefira versões com menos sal quando disponíveis;
  • escorra antes de usar;
  • ajuste o sal da receita levando em conta o produto escolhido.

Formas de consumir grão-de-bico

Mesa com salada de grão-de-bico, homus, grão-de-bico assado e ensopado com vegetais.

Uma vantagem importante do grão-de-bico é a versatilidade.

Em saladas

O grão cozido e frio combina com tomate, pepino, folhas, cebola, ervas, limão e azeite. É uma maneira simples de adicionar proteína vegetal e fibras à refeição.

Em sopas e ensopados

Pode substituir ou acompanhar outras leguminosas em sopas, curries e ensopados com vegetais.

Como homus

O homus é tradicionalmente preparado com grão-de-bico, tahine, limão e outros temperos. O perfil nutricional final depende da quantidade de óleo, tahine, sal e demais ingredientes utilizados.

Assado

Depois de cozido e bem seco, o grão-de-bico pode ser temperado e assado para ganhar uma textura mais firme e crocante.

Em pastas e recheios

O grão cozido pode ser amassado e combinado com vegetais, ervas e temperos para recheios de sanduíches, wraps ou outras preparações.

Como farinha

A farinha de grão-de-bico pode ser utilizada em diferentes massas e preparações culinárias. O perfil nutricional e a resposta do alimento podem mudar conforme a receita e o grau de processamento.

Existe uma quantidade ideal por dia?

Não há uma quantidade universal de grão-de-bico que todas as pessoas precisem consumir diariamente.

Necessidades energéticas, ingestão de proteína, fibras e carboidratos, nível de atividade física, condições clínicas e restante da alimentação variam muito entre indivíduos.

O mais importante é enxergar o grão-de-bico como uma das opções do grupo das leguminosas e construir variedade alimentar, alternando-o com feijões, lentilhas, ervilhas e outros alimentos. A OMS coloca diversidade, adequação, equilíbrio e moderação entre os princípios fundamentais de uma alimentação saudável. (Organização Mundial da Saúde)

Grão-de-bico é saudável?

Para a maioria das pessoas, sim: o grão-de-bico é um alimento nutritivo que se encaixa muito bem em uma alimentação equilibrada.

Ele oferece proteína vegetal, fibras, carboidratos, folato, ferro, magnésio, fósforo, potássio, zinco e outros nutrientes. (TBCA)

As evidências disponíveis também apoiam o consumo de leguminosas como parte de padrões alimentares associados a melhores marcadores cardiometabólicos. Entretanto, isso não transforma o grão-de-bico em um alimento medicinal ou capaz de compensar sozinho uma alimentação desequilibrada. (Springer)

Conclusão

O grão-de-bico reúne três características valiosas em um único alimento: proteína vegetal, fibras e boa variedade de micronutrientes.

Pode ser utilizado em saladas, sopas, ensopados, homus, pastas, preparações assadas e diversas receitas. Essa versatilidade torna relativamente simples aumentar a presença de leguminosas na alimentação.

Se o objetivo é melhorar a qualidade da dieta, o ponto principal não é buscar um “superalimento”, mas construir um padrão alimentar variado. Nesse contexto, o grão-de-bico é uma excelente opção entre várias leguminosas disponíveis.

Perguntas frequentes

Grão-de-bico engorda?

Nenhum alimento isoladamente determina ganho ou perda de peso. O grão-de-bico contém calorias e carboidratos, mas também oferece quantidades relevantes de proteína e fibras. Em 100 g do alimento cozido e drenado, a TBCA informa aproximadamente 115 kcal, 7,53 g de proteína e 7,47 g de fibras. Uma meta-análise encontrou maior sensação de saciedade após refeições contendo leguminosas, embora não tenha observado redução significativa na ingestão da refeição seguinte. Assim, o grão-de-bico pode fazer parte de estratégias de controle de peso, mas não é um alimento “emagrecedor”. (PubMed)

Grão-de-bico tem proteína?

Sim. Segundo a TBCA, 100 g de grão-de-bico cozido e drenado fornecem aproximadamente 7,5 g de proteína vegetal. Uma concha cheia de 120 g fornece cerca de 9 g. Ele pode contribuir de maneira relevante para a ingestão proteica de pessoas onívoras, vegetarianas ou veganas, especialmente quando faz parte de uma alimentação variada que inclui outras fontes de proteína. (TBCA)

Grão-de-bico tem muito carboidrato?

O carboidrato é um dos principais macronutrientes do grão-de-bico. Em 100 g cozidos e drenados, há aproximadamente 20,8 g de carboidratos totais, dos quais cerca de 7,5 g correspondem a fibras alimentares. Isso significa que classificá-lo apenas como “carboidrato” ignora seu conteúdo de proteína, fibras e micronutrientes. A OMS inclui as leguminosas entre as fontes de carboidratos que podem integrar uma dieta saudável. (Organização Mundial da Saúde)

Precisa deixar o grão-de-bico de molho?

O molho é uma etapa útil, principalmente quando se utiliza o grão seco. Além de facilitar o preparo, técnicas como molho, cozimento, germinação e fermentação podem modificar fatores antinutricionais presentes naturalmente nas sementes e influenciar a disponibilidade de nutrientes. Depois do molho, o grão deve ser cozido adequadamente antes do consumo. (PubMed)

Grão-de-bico enlatado é saudável?

Pode ser uma opção prática. A OMS observa que alimentos congelados e enlatados também podem integrar uma alimentação saudável quando não possuem excesso de sódio ou açúcares adicionados. No caso do grão-de-bico, vale conferir o rótulo, preferir versões com menor teor de sódio e escorrer o líquido antes de utilizar. (Organização Mundial da Saúde)

Posso comer grão-de-bico todos os dias?

Para a maioria das pessoas saudáveis, o grão-de-bico pode aparecer regularmente na alimentação, desde que faça parte de uma dieta variada. A OMS recomenda diversidade alimentar e inclui leguminosas entre os grupos compatíveis com um padrão alimentar saudável. Não existe, porém, necessidade de escolher uma única leguminosa todos os dias. Alternar grão-de-bico, feijões, lentilhas e ervilhas amplia a variedade de sabores e nutrientes. (Organização Mundial da Saúde)

Fontes científicas

  1. Grão-de-bico, cozido, drenado, sem óleo e sem sal — BrasilTabela Brasileira de Composição de Alimentos — TBCA / USP — 2026
  2. Healthy dietWorld Health Organization — 2026
  3. Iron — Health Professional Fact SheetNIH Office of Dietary Supplements — 2025
  4. Folate — Health Professional Fact SheetNIH Office of Dietary Supplements — 2022
  5. Nutritional Composition, Antinutritional Factors, and Utilization Trends of Ethiopian Chickpea (Cicer arietinum L.)International Journal of Food Science — Lamesgen Yegrem — 2021
  6. Effect of Different Types of Whole Dietary Pulses on Established Therapeutic Lipid Targets for Cardiovascular Risk Reduction: An Updated Systematic Review and Dose–Response Meta-Analysis of Randomized Controlled TrialsJournal of the American Heart Association — Back S, Yang S, Rossi A e colaboradores — 2026
  7. Pulse consumption improves indices of glycemic control in adults with and without type 2 diabetes: a systematic review and meta-analysis of acute and long-term randomized controlled trialsEuropean Journal of Nutrition — Hafiz MS, Campbell MD, O'Mahoney LL e colaboradores — 2022
  8. Dietary pulses, satiety and food intake: a systematic review and meta-analysis of acute feeding trialsObesity — Li SS, Kendall CWC, de Souza RJ e colaboradores — 2014